Como o vinho português ajudou a definir o conceito de comércio livre
AP Photo/Francisco Seco
Página principal Economia, EUA, Portugal, Donald Trump
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21 Abril
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Tudo começou com o vinho português – que serviu como base para a noção de comércio livre

Uma teoria-chave de comércio, publicada a 19 de abril de 1817, fez 200 anos esta quarta-feira. A celebração surge numa altura em que o presidente Donald Trump procura redefinir a política comercial dos EUA com outros países.

O economista britânico David Ricardo utilizou o agora famoso exemplo do vinho de Portugal em relação a tecido de Inglaterra para falar sobre comércio num paper intitulado: “Princípios de Economia Política e de Tributação”.

A sua teoria: eram necessários menos trabalhadores em Portugal, um país com uma longa história de produção vinícola, para produzir vinho do que para produzir tecido – e eram necessários menos trabalhadores em Inglaterra, uma potência têxtil naquela altura, para produção têxtil face à produção de vinho. Assim, Portugal devia exportar o seu vinho para Inglaterra enquanto Inglaterra devia exportar os seus tecidos para Portugal. Os trabalhadores não eram o único fator considerado – sendo acompanhados por apreciações quanto ao equipamento, habilidades e valor das moedas.

A ideia, resumidamente: concentre-se nas suas maiores vantagens e venda-as a outros países.

Ricardo deu-lhe o nome de “vantagem comparativa”.

O conceito principal: foque-se nos produtos em que é mais eficiente e exporte-os para outros países. Em simultâneo, outros países focam-se no que são mais produtivos e exportam esses produtos para o seu país.

“A ideia da vantagem comparativa tem sido uma parte essencial do kit de ferramentas intelectuais de cada economista.” – Escreveu Doug Irwin, professor em Dartmouth e antigo consultor comercial de Reagan, na quarta-feira.

O mesmo conceito aplica-se hoje à economia dos EUA.

Considere este exemplo: os EUA são líderes no fabrico de aviões. A Boeing exporta os seus aviões para países e companhias aéreas à volta do mundo.

A Boeing vende aviões à Avianca, companhia aérea colombiana. A Colômbia não tem grande indústria de fabrico de aviões – mas tem uma robusta indústria de café. E os norte-americanos adoram café. Assim, a teoria de Ricardo aplica-se a um nível muito básico nesta interação – os EUA importam significativa quantidade de café da Colômbia enquanto a Colômbia compra aviões norte-americanos.

De forma mais ampla, a ideia de Ricardo aplica-se a toda a economia global. A força dos EUA é significativa em Serviços – tendo superavit comercial ao nível dos Serviços com os mais diversos países. O México, por sua vez, produz bens como peças automóveis e tem um superavit de mercadorias com os EUA e muitas outras nações.

O problema na visão de Trump é que o México, por exemplo, está a vender mais bens aos EUA do que os EUA ao México. Tal cria défice comercial. Trump quer eliminar isso mas ainda não partilhou detalhes quanto a como o fará.

A intemporal teoria de Ricardo poderá ser novamente testada quando a administração Trump renegociar o NAFTA, o acordo de comércio livre com o México e Canadá – ainda este ano.

Os EUA, com os seus vales de Napa e Sonoma, têm pelo menos uma vantagem comparativa em relação ao México e Canadá: o vinho.

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