Irá o crescente fascínio por Lisboa disparar ainda mais os preços das casas?
Carlo Allegri/Reuters
Página principal Economia, Portugal

Madonna é a mais recente celebridade a considerar uma casa em Lisboa

Madonna esteve em Lisboa à procura de casa. Muitos ficaram entusiasmados – mas outros temem que o crescente fascínio pela cidade se traduza num mercado imobiliário cada vez menos acessível.

A cantora norte-americana, a mais recente celebridade a considerar uma casa em Lisboa, esteve na capital portuguesa no mês passado e visitou um palacete que pertenceu a António Champalimaud, de acordo com Gustavo Soares, diretor da Sotheby’s International Realty em Portugal. Madonna também terá visitado alguns imóveis na área de Sintra.

“Ter Madonna em busca de casa em Lisboa não é apenas uma coisa cool para o mercado, é algo que criará manchetes e continuará a impulsionar as vendas de imóveis em Lisboa e noutros locais de Portugal.” – Afirmou Soares, cuja carteira de propriedades inclui algumas das visitadas pela cantora.

Para os habitantes locais, contudo, tal surge como motivo de preocupação. O preço das casas em Lisboa aumentou 35% entre 2012 e 2016, alcançando 2.318 euros o metro quadrado, o valor mais elevado desde 2007 – de acordo com a Confidencial Imobiliário, que recolhe dados do setor imobiliário. Simultaneamente, o rendimento médio disponível por família aumentou 3,8% entre 2012 e 2015, para 17.967 euros, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística.

“Existe um grave problema de acessibilidade para as famílias portuguesas no que toca o mercado imobiliário em Lisboa.” – Afirmou Leonor Duarte, fundadora do grupo “Living in Lisbon” que reuniu mais de 4.000 assinaturas numa carta enviada ao governo a solicitar soluções acessíveis para as famílias locais. “Já o vimos acontecer noutras cidades, onde o mercado imobiliário se desligou totalmente da economia local.”

Lisboa estava de rastos

Há cinco anos a baixa lisboeta encontrava-se de rastos – com edifícios velhos e vazios pelos mais diversos bairros enquanto o país lidava com recessão e elevado desemprego. Depois, em 2012, o governo começou a oferecer permissão de residência a não-europeus que comprassem imóveis avaliados em mais de 500.000 euros, o que atraiu uma onda de chineses. Nesse âmbito, Portugal reuniu 2,8 mil milhões de euros, até agora, principalmente de investidores chineses.

Outro programa, o regime de “residentes não habituais”, permite que expatriados presentes em Portugal paguem apenas 20% de imposto sobre o seu rendimento durante uma década – chegando a isentar alguns pensionistas do pagamento de impostos. O programa já atraiu dezenas de cidadãos franceses, por exemplo.

“Para muitos destes estrangeiros são as isenções fiscais que estão a exercer maior influência na sua decisão de se mudarem para Lisboa.” – Afirmou Hugo Ferreira, diretor executivo da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários. “Estes incentivos ajudaram a tornar Lisboa uma das cidades mais cool da Europa.”

Não se verifica uma situação de “bolha”

O turismo em Lisboa tem vindo a crescer com transportadoras low-cost como a EasyJet, entre outras, a trazerem cada vez mais viajantes para a cidade. Alguns bairros da cidade ganharam um novo visual com hotéis boutique, restaurantes com estrelas Michelin e lojas luxuosas.

“Hoje Lisboa é também um destino para a elite global como Madonna.” – Afirmou João Vasconcelos, Secretário de Estado da Indústria.

Vasconcelos defendeu as políticas do governo, notando que ao contrário de cidades como Londres e Paris, o boom dos preços em Lisboa limita-se a apenas alguns bairros.

“Não se verifica bolha ou pré-bolha.” – Afirmou. “Não é comparável”.

Ainda assim, nos 12 meses que terminaram em março último, o preço das casas em Portugal subiu 5,6%, de acordo com o índice Knight Frank Global House Price – mais do que o verificado no Reino Unido (4,1%), França (2,9%) ou Espanha (2,2%) durante o mesmo período.

“Poderá haver alguma euforia de compra em partes muito específicas da cidade que está a tornar difícil para as famílias portuguesas comprar ou arrendar casa no centro da cidade.” – Afirmou Ferreira. “No entanto, os preços irão continuar a aumentar na cidade enquanto forem impulsionados por estrangeiros.”

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