17 Previsões pouco consensuais para 2017
Brendan McDermid/Reuters
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Estamos em dezembro e isso significa especulação desenfreada quanto ao que o novo ano nos reserva

As previsões são engraçadas pois adoramos lê-las – mesmo sabendo que irão terminar incorretas. Afinal de contas, se tantos “especialistas” doutorados não previram que Trump chegaria onde chegou, ao fazerem suposições tendo por base diversos dados, por que razão se deverá preocupar a ler as opiniões dos outros?

Se isso não o assustou, então, vou direto ao assunto e expresso as minhas previsões pessoais – e, em muitos casos, pouco populares – para 2017. Aqui estão, sem uma ordem em particular:

1. O Twitter (ainda) não será adquirido. Não se dê ao trabalho de clicar nessas manchetes com rumores. O Twitter (NYSE: Twitter [TWTR]) é um produto de nicho a perder dinheiro, sem caminho para crescimento – para não mencionar uma marca manchada e um CEO em part-time que não é exatamente um agente de mudança. A melhor ideia que já li ao redor do Twitter rodeia uma compra benevolente por parte de um grupo sem fins lucrativos para salvar a empresa do lixo. No entanto, com uma valorização de mercado de 15 mil milhões de dólares, não irá acontecer tão cedo.

2. A AI (ou IA, Inteligência Artificial) irá ganhar o prémio “a mais aborrecida sigla de tecnologia” em 2017. Todos gostamos de uma boa narrativa tecnológica e a realidade virtual foi, provavelmente, a tecnologia mais utilizada e exageradamente promovida em 2016. Tal deveu-se a um aumento de 180% das ações da Nvidia (NASDAQ: NVIDIA Corporation [NVDA]), líder no setor de vídeo-tecnologia, bem como à agitação ao redor do Pokémon Go e da realidade aumentada, entre outras referências semelhantes. No entanto, infelizmente, os bloggers de tecnologia têm um período de atenção/contentamento reduzido e precisam de algo novo e brilhante em 2017... A inteligência artificial (IA) parece ser para onde se estão a voltar.

3. A Uber não irá avançar uma IPO (oferta pública inicial, na sigla original). A aplicação para realização e partilha de viagens não tem problemas a reunir capital sem recorrer ao mercado e a sua muito falada valorização de cerca de 60 mil milhões de dólares parece ainda melhor quando existe no isolado mercado privado, não tão sujeito a maior transparência. Wall Street precisa da Uber para suculentas taxas de subscrição mas a Uber não precisa de Wall Street.

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4. O mercado de ações dos EUA irá manter-se no mesmo nível. Com o Dow Jones Industrial Average em quase 20.000, o mercado já criou um ambiente favorável às empresas em Washington – bem como esperança de maior crescimento global em 2017. Ao mesmo tempo, as valorizações encontram-se em altas recorde e as empresas continuam a investir em recompras no lugar de crescimento sustentável de longo prazo para receitas e lucros. Podemos acrescentar alguns pontos percentuais considerando que não há boas alternativas às ações norte-americanas, mas não muito mais que isso.

5. As taxas de juro não serão alteradas (mais vezes além desta semana). Os EUA têm certezas quanto ao aumento das taxas de juro esta semana na reunião de política monetária da Reserva Federal. No entanto, tal como em 2016, vamos ver muita conversa e pouca ação dos bancos centrais em 2017.

6. Os mercados emergentes irão manter-se no mesmo nível. Com tendência geral para um dólar mais forte e taxas mais elevadas, a saída de capital continua um risco. No entanto, verificam-se questões específicas a atormentar mercados-chave: a desaceleração de crescimento na China, os desafios relacionados com numerário na Índia e a turbulência política no Brasil – apenas para mencionar alguns. É difícil imaginar os investidores a migrar para essas regiões.

7. O índice de volatilidade VIX irá atingir 25 pontos, mas não importa. Exceto para aqueles que escrevem manchetes a apelar ao clique sobre o VIX, os seus picos são um não-evento. Continuamos presos a uma tendência baixista, não obstante interrupções ocasionais como o Brexit ou a eleição de Trump, a distorcerem ligeiramente a medida de volatilidade do CBOE – apenas para voltar à média. Bocejo.

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8. Os gestores ativos irão finalmente superar o mercado como um grupo. Num ambiente com um intervalo delimitado o palco está montado para que os stock pickers prosperem, uma vez mais, ao se focarem em setores favorecidos e negociações táticas em vez de em “aspetos” amplos. Depois da dor da última década, os sobrevivemos estão bem equipados para o sucesso.

9. O valor irá superar o crescimento. Não confunda a narrativa da “reflação” com aumento de vendas ou de margens de lucro. A conclusão é que as empresas irão continuar a depender de recompras e eficiências para alcançarem os seus objetivos de lucro por ação pois não existe assim tanto crescimento a chegar. Haverá exceções individuais, claro, mas setores antes certos – como os cuidados de saúde – não irão produzir os frutos e ganhos-surpresa que costumam produzir.

10. As recompras vão alcançar outro recorde. Relacionado: uma nota recente da J. P. Morgan (NYSE: JPMorgan Chase & Co [JPM]) prevê que a recompra de ações alcance 500 mil milhões de dólares em 2017. Aposto contra essa previsão.

11. O desemprego não ultrapassará os 5% nos EUA. O mercado de trabalho encontra-se em participação plena. Se os republicanos forem atrás das fontes de trabalho imigrante como prometeram, abrangendo trabalhadores legais e ilegais, é quase impossível que as estatísticas do emprego suavizem.

12. O petróleo irá cair para menos de 40 dólares novamente. O planeado corte de produção da OPEP irá avançar mas o mood ainda é “perfurar” para os produtores de petróleo a nível doméstico, nos EUA. Estamos a viver numa época de eficiência energética e excesso de oferta, graças ao fracking, e é apenas uma questão de tempo até o preço voltar a cair.

13. Não se irão verificar grandes alterações a nível fiscal. À partida pensará que uma maioria republicana será capaz de avançar reformas fiscais. Mas se acha que todos os membros do GOP pensam da mesma forma, não prestou atenção à corrida presidencial. Entre o establishment e o Tea Party, e entre os estados vermelho-brilhante e os moderados, os legisladores não serão capazes de se unir de forma significativa quanto à política fiscal. É possível que se verifique uma redução que faça manchetes mas não espere uma grande mudança.

14. O défice federal irá aumentar. É claro que qualquer tipo de estímulo proveniente de despesa ou incentivo fiscal aprovado pelo Congresso – como um “agradecimento” aos eleitores conservadores – não será saldado. Não existe crescimento económico suficiente, ou potenciais cortes orçamentais, para o alcançar. Assim, a matemática simples mostra um maior défice federal sob a presidência de Trump.

15. A América vai preocupar-se menos com a geração do milénio. Sim, a constituição de família encontra-se numa baixa de 50 anos e os indivíduos com 30 anos recebem, em média, menos que os seus pais. Mas é isso que acontece quando se realiza uma dívida de mais de 10.000 dólares para acabar a licenciatura aos 23, a meio da maior recessão em quase 100 anos. No entanto, à medida que a economia se conserta e os jovens americanos entram na altura da vida em que pensam em casamento e casa própria, algumas destas métricas irão começar a melhorar – e, esperançosamente, a geração de 50 e 60 irá deixar de entrar em pânico.

16. As vendas de cerveja artesanal irão cair. A marijuana legalizada é cada vez mais a escolha nos EUA. Se preferir álcool, então provavelmente bebe bourbon caro ou cocktails da moda. Por que razão pagar 12 dólares por seis cervejas quando pode comprar uma garrafa grande que irá durar? E não irá impressionar mais os seus amigos a falar de licores impronunciáveis em vez da última empresa de cerveja artesanal a ser comprada pela Anheuser-Busch InBev (Euronext Brussels:BUD)? Não vejo como as vendas de cerveja artesanal poderão manter o ritmo.

17. Estará melhor do que em 2016. Colocando de lado todos os pontos acima, o mercado de ações e os EUA continuarão a dar-se melhor do que no passado. Mantenha uma perspetiva para o longo prazo e não se deixe levar pelo pessimismo e medo espalhados pelo Facebook (NASDAQ: Facebook [FB]).

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