Quais as grandes vencedoras do boom das criptomoedas?
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9 Março
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As plataformas de câmbio de ativos digitais são das grandes vencedoras do boom das criptomoedas. Conheça as estimativas quanto às suas receitas diárias e anuais.

As dez maiores plataformas de câmbio de criptomoedas do mundo estão a reunir 3 milhões de dólares por dia e dirigem-se para mais de mil milhões de dólares por ano — segundo estimativas compiladas pela Bloomberg utilizando dados relativos ao volume de transações nas plataformas (avançados pelo Coinmarketcap.com) e informação relativa às comissões praticadas pelas mesmas (foram contabilizadas as comissões mais baixas avançadas no site de cada plataforma).

As projeções correspondem a uma estimativa aproximada uma vez que é quase impossível saber o que as empresas estão a cobrar — ou que descontos são oferecidos aos traders mais ativos. Com base no volume diário de transações e nas comissões listadas, a receita anual do top 10 deverá entrar nos milhares de milhões de dólares. Embora os números não sejam exatos, a ordem de grandeza mostra que o boom das moedas virtuais está a gerar bastante dinheiro real.

“As plataformas de câmbio e as empresas que processam transações são os grandes vencedores [deste mercado] ao permitirem que outros indivíduos participem neste sector em expansão. (…) Há um grande negócio ali e não me surpreendo se estiverem a fazer centenas de milhões de dólares em receita ou mesmo milhares de milhões por ano.” — Afirmou Gil Luria, analista na D. A. Davidson & Co. que reviu a metodologia utilizada para estimar a receita.

As plataformas de câmbio de criptomoedas Binance (sediada em Tóquio) e OKEx (sediada em Hong Kong) lidam atualmente com o maior volume de transações, equivalente a cerca de 1,7 mil milhões de dólares por dia. Com base em comissões de 0,2% (mais elevadas do que as comissões de 0,07% da OKEx para os seus traders mais ativos) é provável que a Binance esteja a reunir mais fundos por dia.

A Huobi, a Bitfinex, a Upbit e a Bithumb, todas baseadas na Ásia, surgem a seguir no ranking. Processam entre 600 milhões de dólares e 1,4 mil milhões de dólares de volume de transações e cobram em média comissões de 0,3%. Salienta-se que mais de metade da negociação de criptomoedas a nível mundial tem lugar em plataformas baseadas na Ásia, de acordo com dados compilados pela plataforma de contratos inteligentes Aelf.

A concentração da negociação de criptomoedas na Ásia pode ser explicada pela ampla mineração de criptomoedas na região desde os primeiros tempos da Bitcoin, com os mineiros a tirarem vantagem de baixos custos de eletricidade — segundo o avançado por Zhuling Chen, cofundador da Aelf. Uma população jovem, que adota nova tecnologia com rapidez, e consumidores confortáveis com pagamentos móveis são também razões para o foco na região.

Entretanto, porém, mais apertada regulação na região — com a China e a Coreia do Sul a restringirem a negociação de criptomoedas e o lançamento do mecanismo de angariação de fundos conhecido como Oferta Inicial de Moeda (ICO na sigla original para Initial Coin Offering) — levou a que as variadas empresas asiáticas focadas nas criptomoedas se vissem forçadas a tornarem-se globais.

Voltando à Binance, destaca-se que a sua proeminência é notável considerando que começou a operar em julho. Mudou a sua sede de Xangai para o Japão, depois de o governo chinês ter apertado o controlo sobre a indústria no final do ano passado, e processa atualmente 1,4 milhões de ordens por segundo — o que, de acordo com a mesma, a torna uma das plataformas de câmbio mais rápidas do mercado. Além disso, o processo de registo de clientes na sua plataforma é bastante simples.

“Os utilizadores só têm de passar pelo processo know your customer aquando do levantamento de fundos. É um processo complicado. Perdem-se clientes nas duas a quatro horas que exige. Na Binance, porém, é possível ir de não ter conta a ter fundos na conta em menos de 20 minutos.” — Afirmou Chris Slaughter, cofundador da plataforma de investimento em criptomoedas Samsa. De acordo com o mesmo a Binance é muito fiável.

A sul-coreana Upbit, entre as cinco maiores do mundo por volume de negociação, só começou a operar em outubro. É controlada pela Dunamu Inc., que também detém a Kakao Talk, a mais popular aplicação de mensagens escritas da Coreia do Sul. A Upbit está integrada na Kakao Talk e lista mais de 120 criptomoedas, graças a uma parceria com a Bittrex, sediada nos Estados Unidos.

Todas as plataformas são privadas e têm apenas alguns anos — o que dificulta a busca de informação financeira sobre as mesmas. A HitBTC, a décima maior, não fornece qualquer informação sobre a gestão ou sobre a sua sede, mesmo com clientes a colocar essas questões no seu fórum. A Bit-Z, a WEX e a EXX, entre as vinte maiores por volume de transação, também não fornecem quaisquer detalhes.

A Bitfinex, entre as cinco maiores do mundo, foi submetida a amplo escrutínio recentemente, com a Commodity Futures Trading Commission dos EUA a enviar intimações à empresa em dezembro.

Entretanto, porém, potencial concorrência de empresas cotadas em bolsa e de empresas financeiras tradicionais poderá levar a que as plataformas de câmbio de criptomoedas se tornem mais transparentes ou venham a reduzir os custos, afirmou Slaughter.

“É provável que empresas mais convencionais como bancos adquiram plataformas de câmbio de criptomoedas a dado ponto para garantirem que têm uma posição estratégica no mercado. É claro. É nos serviços financeiros que toda a receita real das criptomoedas está.”

Fonte: Bloomberg

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