Tudo o que precisa de saber sobre plataformas de câmbio de criptomoedas
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4 Julho
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As plataformas de câmbio de criptomoedas desempenham um papel fundamental no mercado, tal como as plataformas de câmbio de ativos «tradicionais». À superfície são muito semelhantes às plataformas para negociação de ações, combinando compradores e vendedores e publicando preços. Porém, diferem bastante em vários aspetos, podendo expor os investidores a riscos que estes poderão não entender totalmente. Tal está a preocupar os reguladores e a levar novas plataformas a procurar formas de atenuar potenciais ameaças.

O que têm em comum as plataformas de câmbio de criptomoedas e as plataformas de câmbio de ações?

Surgem ambas como «locais» para a negociação de ativos mas as semelhanças terminam aí. As plataformas de câmbio de criptomoedas tendem a cobrar altas comissões de corretagem, mais elevadas do que as impostas por bolsas «tradicionais», o que as torna altamente lucrativas. Um exemplo: a Coincheck, a segunda maior plataforma de câmbio de criptomoedas do Japão, alcançou quase o mesmo lucro que o Japan Exchange Group, operador dos maiores mercados de ações e derivados do país, no ano passado.

Outra diferença crucial: enquanto os mercados de ações são altamente regulados, os seus pares de ativos digitais contam com pouca, se alguma, supervisão na maioria das jurisdições.

Que riscos é que essas diferenças colocam aos investidores?

De forma simples e direta: a proteção existente no mundo da negociação de ações não existe no mundo das criptomoedas. O maior risco para um investidor? Perder todo o seu investimento, seja através de furto de hackers, seja por encerramento da plataforma utilizada. Entre os mais recentes ataques cibernéticos destaca-se o furto de tokens digitais da Coincheck em janeiro — o equivalente a quase 500 milhões de dólares — e relembra-se que duas plataformas de câmbio de criptomoedas sul-coreanas foram atacadas em junho. Além disso, muitas plataformas acabam por desaparecer, algumas após ataque de hackers e outras depois de terem sido encerradas por autoridades.

O Coinmarketcap lista atualmente cerca de 200 plataformas de câmbio de criptomoedas.

Para onde vão as criptomoedas furtadas?

Trata-se de um dos aspetos mais estranhos dos ataques de hackers. Uma vez que as transações com criptomoedas são públicas, é fácil ver para onde os tokens furtados vão. No entanto, o ladrão poderá tentar confundir a vigilância recorrendo a serviços como o ShapeShift, que oferece negociação de criptomoedas sem solicitar dados pessoais aos traders — destacando-se, porém, que a empresa afirma que bloqueou os endereços associados ao hack de 500 milhões de dólares em janeiro. Em simultâneo, existe também a possibilidade de converter tokens numa moeda mais anónima, como a Monero, o que poderá ajudar o processo de «branqueamento».

Como é que os investidores se podem proteger?

Os investidores podem (devem) manter os seus tokens digitais fora das plataformas de câmbio de criptomoedas, offline, no que é conhecido como armazenamento a frio. No entanto, na realidade, não costumam fazê-lo — e torna-se impraticável para traders frequentes, que utilizam plataformas numa base diária ou semanal.

Entretanto, algumas plataformas estão a tentar elevar os seus padrões de segurança. A Gemini, por exemplo, contratou a Nasdaq para monitorizar potencial negociação abusiva de Bitcoin e Ethereum.

E quanto à supervisão governamental?

Autoridades à volta do mundo estão a acordar lentamente para as oportunidades e ameaças que derivam da negociação de criptomoedas e as suas respostas têm sido variadas. Enquanto o Japão introduziu um sistema de licenciamento de plataformas de câmbio de ativos digitais no ano passado, a China — em tempos o centro global da atividade — impôs repressão abrangente ao setor. Em simultâneo, a pequena ilha de Malta está a preparar uma estrutura para o setor numa tentativa de se estabelecer como hub e vários países europeus aguardam diretivas da União Europeia.

O que estão os reguladores a fazer para proteger os investidores?

Os reguladores têm avançado avisos generalizadas aos investidores, particularmente sobre preços voláteis e o risco de se perder a totalidade dos investimentos. Vários reguladores também têm vindo a alertar as plataformas de câmbio para não listarem tokens considerados valores mobiliários sob as leis locais. O governador do Banco de Inglaterra avançou em março ser altura de acabar com a «anarquia» das criptomoedas e inserir a indústria dentro dos padrões do restante sistema financeiro — e o procurador-geral do estado de Nova Iorque escreveu, em abril, a 13 plataformas de câmbio de criptomoedas em busca de informação sobre os seus controlos internos (nomeadamente em torno da proteção dos clientes). Porém, recebeu como resposta do diretor da Kraken que o licenciamento, regulação e manipulação do mercado são aspetos que não interessam para a maioria dos traders de criptomoedas.

Como é que as plataformas de câmbio de criptomoedas estão a responder?

As plataformas estão a mudar. Está a surgir uma nova geração, que se aproxima mais dos ideais originais da blockchain, e que ameaça reformular os mercados de criptomoedas. Conhecidas como plataformas de câmbio de criptomoedas descentralizadas, estas novas opções não detêm os ativos dos clientes e fazem pouco mais do que combinar compradores e vendedores, deixando as transações para os investidores. O sistema trata-se essencialmente de uma plataforma peer-to-peer e surge como mais transparente — em operações e comissões — do que os atuais modelos.

Será esse o futuro da negociação de criptomoedas?

Depende. Sam Tabar, estratega da AirSwap (que abriu uma plataforma descentralizada em abril), prevê que a migração de traders para o novo modelo seja a grande história do mercado este ano. Porém, outros consideram que os novos tipos de bolsas têm as suas próprias problemáticas, como experiência de utilizador inferior e menor nível de apoio técnico.

Para David Lee, autor do Handbook of Digital Currency, as plataformas descentralizadas irão tornar-se a principal via para a negociação de criptomoedas no espaço de cinco a dez anos.

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